segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Elevando asas...


1958.VI.16

 Eleva-te, minha alma, sempre p´rás alturas!...

"[...] Era o eterno paradoxo que se revela sempre na existência dos pensadores - o constante anseio de calma em plena tempestade, o eterno desejo de vendavais no oásis da quietude." - Stefan Zweig

sábado, 28 de dezembro de 2013

Incerteza...


Porquê esta apatia, esta incerteza
Latente na Ilusão esfarrapada?...
Porquê este viver de condenada
Que não rompe grilhões da natureza?...

Porque não há momentos, nem beleza,
Vestindo a dor da alma magoada?
Porquê  lançada na finita estrada
Se a cada passo urge a incerteza?

Agora se me perguntas o porquê
Pensa um momento - descobre, vê:
Não sou ainda ruínas, nem escombros.

Nem sempre riu a boca da menina
E embora doce rosa matutina
Pesou-lhe já a vida sobre os ombros.

 Helen May, [Maio ,1958]

domingo, 15 de dezembro de 2013

Acordar cedo...


[2013.12.10]
Acordo para mais um dia 
de mais um mês,
 de mais um ano
Corro cortinas
abro janelas
perscruto o sol da manhã
Faço coisas  penso outras
sinto outras ainda
e o cansaço vem e instala-se
nos meus músculos doridos
já tão cansados da labuta inglória
Depois fecho janelas para a noite
ao correr cortinas de silêncio e pesar
olhando o amplo  céu 
onde agora brilha uma falsa estrela
que me encanta por vezes
outras me leva a estremecer de frio ou medo 
Tento ignorar ânsias, cuidados,
até, se possível, a própria dor
Se acordo na noite ou na madrugada
vou contemplar a geada sobre a terra gelada
Se posso, trabalho sob o sol cálido
 de um outono seco e luminoso 
tecendo recordações de sonhos
  no tricot dos dias
Em soluços contidos
ainda vislumbro os poucos 
mas intensos momentos de amor
Acordo porque tem de ser
E retorna o cansaço de mais um dia
que me fecha os olhos
para acordar de novo
para um outro retalho de tempo...
sem preencher o vazio
apenas procurando 
 nunca esmorecer.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Intolerância...


Livrar de perigos
Num cuidar de longe?...
Há um Deus que vela
Anjos que ajudam
Diabos que escarnecem...

Intolerante de mim
No fingir indiferença
No existir por osmose
Em perpétuo reencontro com a dor...
Impossível não  sentir 
Ou resistir impassível
Perante o acto de fugir...
Num lento esboroar
Da hora que passa.

[09.14.013]

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Bicho de jardim...


Quantas as vezes que me-te-vos disse
não suportar multidões...
Nunca me ouviste -es
não escutaste-es
não entendeste -es
Sou bicho de conta feio e cinzento
enrolado sobre si em volutas tenras
e o meu pobre segredo de vida
é fechar-me mais e mais
até ficar bolinha de conta 
de um colar esquecido
cinzentamente inerme
imensamente mesquinho
adormecendo a vida
num escurecer de cinzento abandono...
algures ao sol poente.

Márcia Mesquita

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lua...


Lua cheia by Ricardo Russo

 A Lua não possui luz própria. Se ilumina, fá-lo só de vez em quando, na noite mais escura.
Apenas reflecte simplesmente, formosamente, teimosamente, a luz do Sol. 
E isso lhe basta.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Instintiva(mente)...


Às vezes há teorias que nos agradam tanto quanto detestamos a prática dos que dizem defendê-las.
E detestamos esses iluminados teóricos por causa do seu palavreado exaustivo que nos vence pelo cansaço ou pela indignação que, não raro, nos provocam.
Às vezes ... mal sabemos em que, ou quem acreditar por todo esse palavreado oco que nos oprime e, por instinto, rejeitamos. E não queremos. E nos forçamos.
Por instinto...desconfiamos.
Por instinto...confiamos.
Por instinto...deixámos de confiar.
Um palavreado monótono e sem elevação obriga a fugir a sete pés de miragens de iluminados que envergonham teorias que respeitamos.
 Forcejamos para que continuem a ser as nossas.
E para  não nos sermos estranhos ao lutar pela sobrevivência de tudo em que acreditámos, anulamo-nos, isolamo-nos.
Porque o difícil, afinal, é voltar a confiar. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Espelhos...

No espelho de águas paradas
estava o teu rosto
com a doçura dum sol de outono
e a melancolia de dias de névoa... 
Mas vi-te - era o teu reflexo em mim
e o meu 
 no tempo e ânsia 
de um caminho sem fim.

                                                                                                                                                               
[29.10.013]

domingo, 20 de outubro de 2013

Recanto na floresta...


[28.10.2012]
Naquele canto o sol despede-se do dia
que fere ainda  o olhar de quem o busca
Cria cortinas de poalha  luminosa
iridiscente
com olhos de velhice encantada
por viver
Mais um dia fecha a gaveta na penumbra outonal...
e é bonito de ver.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Roer a dor...


                                                                                                                          [31.08.2013]

Roendo a dor...
Não sei quem rói:
se eu a ela
se ela a mim.

                                                                                                               

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Afecto(os)...


Triste se torna a existência quando a solução derradeira do afecto
só se encontra numa criatura de espécie diferente como o cão.
 Ou na sombra da árvore no tempo da canícula.
Ou no sorriso da criança que passa.
Ou na beleza de uma flor.
É a expressão mais profunda do desespero.  
E tudo o mais - é nada.
[14.09.013]

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Milagres...


Está frio...
 A noite é manto em breu que não aquece.
Dá-me a tua mão...
 Aperta.
 Tenho medo.
As estrelas estão longe
E às vezes choram
E o seu olhar pisco não aquece.
Sinto o medo 
De atravessar o deserto
Onde o sol dardeja louco
E não aquece...
 Sem compaixão a noite 
Gela...
Dá-me a tua mão
E aperta devagarzinho 
Com a confiança de sonhar o impossível...
Apertando na tua a minha mão...
Milagres acontecem.

                                                            [05.19,012]

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Terra das brumas...


na terra das brumas 
onde enterrei anseios
paira a débil luz
da não-esperança

...vagalume inconsciente
num sentir vazio 
demente
de um inverno que chega
húmido e frio.

                                                                                                                                                                                              [19.11.012]

domingo, 22 de setembro de 2013

Magia de acordes...


ouvir dentro de mim magia de sinos
 dizerem mais do que algum dia acreditei
 símbolos em melodia  a cortar silêncios...
 faz estremecer
 a não crer

apenas sugestão 
de uma louca esperança
num ritual de oração...
 discreto tremular de encantamento.

Manuel Maria Avô


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Caminhar no tempo...


perdidos bússola e relógio 
pelo caminho de terra 
sangrenta ou amarelada  
que prendeu  pedras de calçada
batidas por passos anónimos
de inconscientes  pés
 que a pisaram...
restou  cheiro e sede
na poeira dos dias
e leves mágoas guardadas
chorando em surdina...
 e amadas

não há perdoar ou perdoada:
 perdida a bússola na calçada 
 só esquecer que houve sol no leito do rio
de uma única margem
onde soluços secos
foram destino
macerado pela vida.

                                                                                                                                                                                          [06.08.0139]

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Fragmentos...


ouvi palavras, li fragmentos...

 desde o início 
só sabia dar-me à luz 
e toda inteira

 constato apenas - não é acusação

folhas de outono esparsas pelo chão
nem sequer são vida derradeira





terça-feira, 17 de setembro de 2013

Imensidão...



O mar imenso não consente as folhas crestadas pelo sol de verão  
que falem de outono e de sonhos escondidos.

As marés não retêm vida apodrecida, nem a secura crestada de fogos antigos
 nas nervuras outrora eivadas de seiva.

O mar não consente memórias  de espumas rendadas 
que destrói sobre as areias alvacentas.

 E não escuta: sussurra ou brame violento.

Apenas guarda um sabor a sal de lágrimas vertidas.

Apenas.

[13.09.013] 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Apontamento...


apontamentos de vida
ritos inocentes de criança
sonhos de menina
anseios de mulher...

anotações de um amor
que ninguém quer

[14.09.013]

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Esse ladrão...


O tempo, esse ladrão
a quem abriste a porta,
e foi por ti convidado a almoçar,
que se refugiou no olvido
e se afastou em vão... 
sempre reticente em te acompanhar
não gostou de ser esquecido
e prolongou-se em desejos pelo ar...

[18.11.012]

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Espinhos da tarde...


Há nuvens de dramas escondidos
Soluços abafados em agonias lentas
Escorrer manso de passadas mágoas
Agora sem significado, já isentas
De amargura ou mistério
Macilentas

Espinhos de vida em melodia
Florescendo na tarde enevoada

E se anoitece mais cedo?
Que acontece?
A agonia da tarde desmerece
Da chuva benéfica que me invade...

Escuto o silêncio pesado de amargura
Por mal saber da desventura
E como lidar com ela a cada dia...



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Brincar..


Brincar, sorrir, chalacear...
e tristeza no peito 
quando distância e ignorância de um outro 
só traz como apetite comer
comer demais
comer para esquecer
e evitar chorar

Como em pesadelo... tentar ainda
brincar...
carregar o fingimento
evitando chorar.

Manuel Maria Avô

domingo, 11 de agosto de 2013

Céu taciturno,,,


 um céu sem lua...
taciturno
agressivo

 simplesmente
tu não estavas
já não estavas

 quedei suspensa
da triste mancha 
desse azul sombrio
teia marchetada
a que o calor do dia 
dera vagos contornos 
de desilusão.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ósculo...


esse ósculo moldado
 todo em carne e seda
pousou sobre a tua face 
qual terno delíquio...

[28.02.012]

estavas já ausente
 sei-o bem
procuravas caminhos...

e o todo então sonhado
não fora senão atalho
num percurso ansiado
e navegante.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Humildade...


[09-02.013]
Quem manda que penses
ser muito importante para alguém?
Ninguém. Apenas tu...
Não te queixes. Não chores.
Nem para ti mesmo 
 sabes ser importante.

Na valsa da vida
só há rosas se as cultivas
por que todas as outras 
não são as tuas
e só podes vê-las ao longe
como sonhos  belos
com perfume e cor.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Viagem no tempo...


Já não moro aqui
Distanciei-me.
Cedo me venceu o olvido
e a inconstância.
Depois veio o silêncio 
frio, incontornável.
Já não moro aqui
evaporei-me...
Mas ficaram raízes.

[av.05.09.012]

terça-feira, 16 de julho de 2013

Apontamento


Tudo o que hoje é beleza e harmonia
Não passará de melancolia
Quando já não estiveres...
E o dia será então igual à noite
E a lua chorará na madrugada
Ao encontrar-me ainda mais só
E abandonada.

                                                                                 [22.03.012]

sábado, 13 de julho de 2013

Timidez...


Há algo que me desgosta
Ou não gosto mesmo:
Ser popular.
Céus! deixem-me adormecida
Inerte e desconhecida no meu canto...
Para isso nasci.

Se entro um pouco tonta
Pela noite fria
E se procuro em vão um pouco de calor
Logo tropeço  na recordação
Suave, lenta, sofrida
De um outro qualquer imenso e doce amor
Que vela como eu pela madrugada...
E recolho-me ferida.

                                                                                          [16.12.2011]

terça-feira, 2 de julho de 2013

Velada...


Velei contigo longamente enquanto pude
 não cansei
nem sequer da alegria ou mágoas provocadas
e também não me faltaram as palavras
com gordas lágrimas a elas acopladas
ou marotos sorrisos deliciados...
não, não cansei
mas acordar para realidades comezinhas 
consegue provocar náusea 
debilitar ou fazer dormitar...

Alma e corpo, conjugaram o verbo amar, 
noite e dia, na ânsia de te tocar, de te rever,
de te falar, de te ouvir falar,
ou de te mostrar o branco nos cabelos, 
calada e presa ao teu dissertar
ou procurar-te a mão timidamente
receando fazê-lo a chorar...

Não. Não cansei.

Deste lado do sonho e do silêncio
 no paradoxo de ouvir as palavras abafadas
 que sei tuas...
Nada disso me cansou...
Foram sempre outros.

Nunca soube mais o que fazer...
Entanto o corpo se fragilizou...
E agora vou fazendo...um quase nada.

{01.11.012}

sábado, 29 de junho de 2013

Sufoco...


O ar quente que veste a tarde
Aperta forte como invisíveis grades
Roubando memórias  e força de lutar
Ao ser amorfo e tenso
Imerso em silêncio e solidão.

Ideias surgem e vão...
Sem vontade de nada
É  o (não)ser cada vez mais cansado
A cada dia mais triste
Mais abandonado
Desiludido de si,
Desiludido do mundo
Nauseado
Sem ninguém por que lutar
Sem nada por que lutar
Avesso a um carinho mais profundo
Sofrendo 
 De vez em quando chorando
No ausentar permanente de tudo 
E de si
Nesse circuito estranho de fogo 
Consumido em labaredas estranhas
Infindas
Densas 
Com fumos e revérberos acobreados
Numa amorfa melancolia...

Sempre que a noite cai sobre o calor da tarde.

                                                                                                 Merys                  {29.07,010}




terça-feira, 25 de junho de 2013

Sinais...


Sinais?
Fechei a alma a sinais de vida
E de outras vidas que não sei quem são
Fi-lo por mim na amargura consentida
De nem saber a quem estendo a mão

Encanto, desencanto
Alegria, tristeza
Ilusão, incerteza...
Tudo fabricado por magia
E a secreta melancolia 
De um ser habituado à solidão
De olhos abertos prá vida na manhã sombria
 Encolho os ombros vergados à agonia
Prestes a ignorar momentos de emoção

                                 [05.03.013]

domingo, 9 de junho de 2013

Inferno...


 e assim se vai perdendo o sol de cada dia
 ao perseguir a quimera 
 na noite escura, fria,
derrotada que ficou em mim  
 a longa espera 
de não mais te ver.

 e vou.
um dia, vou reconhecer o inferno
desse enlace longo,terno, 
momentos de um inverno
  a perdurar dentro em mim...
 desenlace de vida
na busca  do seu fim.

domingo, 2 de junho de 2013

Estendo os braços...


estendo os braços grávidos de ternura
e não te encontro

ela - a ternura - esteve sempre
e só
dentro de mim

domingo, 5 de maio de 2013

Viver...


«Viver...é não saber que se vive.»
Expressão ouvida a um personagem de ficção
habituado a falar com figuras do passado
 de uma vida longa que ia sendo esquecida.
Soou familiar como sino a finados. Tão familiar... demasiado.
Sensação de um primeiro passo
na fuga para uma realidade não fictícia 
de dorida
que tinha tudo para ser banal,.

Rosa em castanho seco, ao vento lançada...
melancolia inspirada na aflição.

Foi vermelha rubro... morreu de inanição.
Juntou-se à de um outro ano que passou...
e a outro...vão.


sábado, 4 de maio de 2013

Cartas...


Hoje?... Ontem? Um dia destes,
senti que estavas triste 
Raramente sei porquê
e sempre me culpo ...
Mas sei não ser eu
assim tão importante...

Também sei 
que as cartas que te envio
nem sempre levam
 mensagens de pesar ou dor
e nem são armas 
para esgrimir juras de amor.

As mais das vezes,
são impulso de um momento
e já nem fazem parte
do mundo em que me movo...

E fico, triste, a meditar 
que julgas que te agrido 
com palavras... 
tudo longe, tão longe, 
da forma de ser eu -
 - o eu na expressão do amar.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Lugar perdido...


à espera da vida
é um lugar
aquele que encontrei
sem procurar
e se tornou escorregadio e fino
como gelo
na longa noite do silêncio
em solidão

nunca será o sítio aconchegante
onde sem ser esperada
a alegria chegou
e doente se finou 
 e perdida 
 e só.

[2009.01.30]

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Noites longas...


Eram longas as noites
E os dias férvidos de inútil ira;
Subtil a revolta...
O desespero ardente.

Vingança é cega
Escarnece da carne.
Espírito alvoroça-se
Numa procura insana.
Um sol de outono
Procura aquecer ainda
Aquele ser desfeito
E à deriva...

Depois, abandonado na praia
Da loucura,
Nem duvidou:
Acreditou
E fez-se ao mar.

domingo, 28 de abril de 2013

Vento uivante...


O vento sopra uivando, dança como quer
Não sabes donde vem esse ruído,
 nem para onde vai,
só sabes que te envolve
e te ameaça...

Passa-se tudo isto com tudo 
que tem a ver com o Espírito.

22.09.006



domingo, 21 de abril de 2013

Partida...


quando for tempo de partir
não digas adeus
para que o meu coração
 não obrigue
 a garganta
a sentir o trânsito da dor

na fundura da emoção
sentirei se vais partir
e quando. . .

. . . mesmo se me privaste
de te ouvir a voz.

09.12.012

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pergunta...


No vaivém de dias por passar,
Horas gotejantes correm com o vento,
Marcadas de alegria ou de pesar...

Como forte espinho agressivo de roseira,
Qual papoula que sangra ao sol de verão,
Lenta, plácida, antiga,
Emoção consentida,
Sussurrante, amiga,
Surge, na forma de pergunta,
Uma verdade, a latejar:
Hoje já disse o quanto gosto de ti?
Há tanto que o não digo...

Húmida, abandono-a então, a voejar...





quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sangue fresco...


 espesso o sangue fresco
que a chuva não lavou
o punhal doeu fundo
quando a traição pairou...

deixa doer, deixa chover os dias

 o verbo não se alimentou
só de fantasias
e paixão não secou
em estertor de agonias
porque  amor a salvou.




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Não é o vento...


Não é o vento
são rajadas de ar suspenso
e agressivo

Não é um lamento
é grito de desalento
num som rouco e surdo

Não será o vento
mas som em movimento
que vem longe
 do mar

Vem ecoando distante
e suspende-se
como felino rouco
prestes a saltar
sobre a vítima
já em agonia

Queda-se depois
 brusco e breve
em atonia.

[07.27.010]

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Frases feitas...


Não há perguntas
Tão pouco respostas
E também nada me foi perguntado
- afinal

Da noite gélida
veio o recado
"Nunca se perde
quem se quer bem"

Paixão leva à exaustão
E ao desespero mudo

Hieróglifos são sinais
misturados em cocktail de combate
ora mesclados de humor
ora envoltos em manto espesso
de desânimo
de todo um processo de amor
..........................
Tinha prometido ser forte
não ter medo
não chorar...

Ao frio cortante da noite
os olhos exaustos
viraram lagoas geladas
por te procurar.



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Agonia...


Ao sentir a alma quebrada, choro
E digo-me: "Hoje não choro.
Amanhã chorarei".

Raramente o consigo.

Mudei de lugar
Mudei de atitude
Já me abri ao mundo
E já me fechei...

Nem paz encontrei.

No caminho duro, escuro,
Tanto procurei...

Toma-me a aflição:
" Se ninguém tem a culpa..."

Mas eu também não.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Alarme...


Desce da montanha
Um desespero denso

Não tem a ver comigo
Não tem a ver contigo
Nem tem a ver connosco
Apenas tem a ver com o ar poluído
Em que perpassam clarões...
... de tempestades

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Dormência...


Não. Nada morreu em mim.
Apenas permiti que adormecesse...
E nem interessa saber
Se me estendeste a mão...
A cada dia mais só
Se diluída 
No seio da indiferente
Multidão.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mágico instante...


Mágico esse instante de loucura
Suave, lânguido
Que não permitiu 
Desenlaçar o abraço.

Mágico foi ao não deixar sepultar 
No dia a dia
A esperança 
Mudada em agonia
De um outro instante  de ventura.

Sophie
[012.07.28]

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Terna é a noite...


escrevo-te pela noite sem sonhos
um bordado de carícias
no fio das horas
porque o teu nome
sempre fez parte da minha eternidade.


[03.02.013]

Pela noite dentro...


nem sempre saio pela noite
ao teu encontro
e nem sei se foi assim que me encontraste
 mas só conheceste então
uma parte de mim
que te agradou
que a outra nem te interessava.
uma quase secou
 planta embrião que não regaste.
porém não me perdeste
que a noite é tão terna
quanto a madrugada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cansaço...


Cansaço não é antídoto
para um lento veneno que corrói.
Cansaço só narcotiza a dor.

S.G.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Impressão...


não sofras hoje, irmã,
que de prazer ou dor
há sempre um amanhã...

álgida se apresenta
a recordação na madrugada.
impressão amortecida
quase sem vida ... 
 ... amortalhada.