terça-feira, 26 de novembro de 2013

Intolerância...


Livrar de perigos
Num cuidar de longe?...
Há um Deus que vela
Anjos que ajudam
Diabos que escarnecem...

Intolerante de mim
No fingir indiferença
No existir por osmose
Em perpétuo reencontro com a dor...
Impossível não  sentir 
Ou resistir impassível
Perante o acto de fugir...
Num lento esboroar
Da hora que passa.

[09.14.013]

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Bicho de jardim...


Quantas as vezes que me-te-vos disse
não suportar multidões...
Nunca me ouviste -es
não escutaste-es
não entendeste -es
Sou bicho de conta feio e cinzento
enrolado sobre si em volutas tenras
e o meu pobre segredo de vida
é fechar-me mais e mais
até ficar bolinha de conta 
de um colar esquecido
cinzentamente inerme
imensamente mesquinho
adormecendo a vida
num escurecer de cinzento abandono...
algures ao sol poente.

Márcia Mesquita

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lua...


Lua cheia by Ricardo Russo

 A Lua não possui luz própria. Se ilumina, fá-lo só de vez em quando, na noite mais escura.
Apenas reflecte simplesmente, formosamente, teimosamente, a luz do Sol. 
E isso lhe basta.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Instintiva(mente)...


Às vezes há teorias que nos agradam tanto quanto detestamos a prática dos que dizem defendê-las.
E detestamos esses iluminados teóricos por causa do seu palavreado exaustivo que nos vence pelo cansaço ou pela indignação que, não raro, nos provocam.
Às vezes ... mal sabemos em que, ou quem acreditar por todo esse palavreado oco que nos oprime e, por instinto, rejeitamos. E não queremos. E nos forçamos.
Por instinto...desconfiamos.
Por instinto...confiamos.
Por instinto...deixámos de confiar.
Um palavreado monótono e sem elevação obriga a fugir a sete pés de miragens de iluminados que envergonham teorias que respeitamos.
 Forcejamos para que continuem a ser as nossas.
E para  não nos sermos estranhos ao lutar pela sobrevivência de tudo em que acreditámos, anulamo-nos, isolamo-nos.
Porque o difícil, afinal, é voltar a confiar. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Espelhos...

No espelho de águas paradas
estava o teu rosto
com a doçura dum sol de outono
e a melancolia de dias de névoa... 
Mas vi-te - era o teu reflexo em mim
e o meu 
 no tempo e ânsia 
de um caminho sem fim.

                                                                                                                                                               
[29.10.013]