segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
sexta-feira, 18 de janeiro de 2019
o silêncio
[2009-04-22]
ouço ao longe
tão longe
um som que enfeitiça...
se o silêncio oprime
mais vale não o pensar
-a música redime...
nesta algidez infinita
que me faz sonhar ainda...
até quando?
este é o soluço contido, infindo
embalado docemente
pelas melodias de Massenet
ou o Adagio de Albinoni...
que tentam embeber a humidade
da face macerada
de uma alma maltratada...
tão cansada...
que tentam embeber a humidade
da face macerada
de uma alma maltratada...
tão cansada...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2019
soluço...
vem de longe o som de um soluço de dor
algures da escuridão
( choro...ou grito?
ou o recordar de dor sofrida
num mundo onde ternura
é desilusão?)
se houve na vida um amor pequenino,
começado a brincar
que chegou sem ser esperado
surgindo do nada
fruto de humanas necessidades
mas que cresceu mansamente
numa senda de amor;
e se ao beijar esse amor doce e pequenino
tremeu ao senti-lo latejar
feliz de o saber ser
feliz de o saber ser
maravilhada por se saber a amar...
... acolha-se então esse amor pequenino
para que não se dissolva no vento...
pois foi dádiva de um destino
quase sempre cruel
pois foi dádiva de um destino
quase sempre cruel
quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
ao findar novembro...
o sol espreitou, brincou na luz, nas texturas das copas das árvores, nos botões de rosa do jardim
logo se escondeu depois atrás das nuvens pejadas de água
a cinza mole do dia espalha-se em redor
molha o silêncio
as sombras da sala penetram-me,
andam por dentro de mim
andam por dentro de mim
e na algidez do dia dum outono quente
tão cheio ainda de folhas
tão cheio ainda de folhas
que não tiveram tempo de secar
nem caíram das árvores ou juncarem o chão
tecendo tapetes de tons queimados, com ruídos secos, crestados
sou a nitidez que chora
sou a nitidez que chora
os dias do outono nunca são unânimes, na forma ou nos conteúdos-
- as rosas e as outras flores destes dias
lembram mais as duma avançada primavera do que as de um verão macerado
falhou tempo,
falhou doçura
neste corte abrupto entre o fogo do verão e o início das primeiras invernias:
falhou doçura
neste corte abrupto entre o fogo do verão e o início das primeiras invernias:
a um sol abrasador sucederam-se cerce ventos fortes, frio, chuva e neves...
agora, num mesmo dia, há momentos de sol pleno
a alternar com um ambiente de cinza e de chuva mansa,
aquela que ouço afagar-me mansamente as vidraças,
a alternar com um ambiente de cinza e de chuva mansa,
aquela que ouço afagar-me mansamente as vidraças,
numa espécie de sussurro ritmado e contínuo
tu, que só foste verdade nos meus braços,
não te afastes
não me deixes
não consigo...
sem ti
acreditar
(2015.12.11)
para viver é preciso acreditar nalguma coisa
ou acreditar pelo menos que valha a pena estar vivo
para nós, para alguém além de nós
e uma alma grande acredita.
Coragem é não acreditar...
e
mesmo assim
ir vivendo.
para viver é preciso acreditar nalguma coisa
ou acreditar pelo menos que valha a pena estar vivo
para nós, para alguém além de nós
e uma alma grande acredita.
Coragem é não acreditar...
e
mesmo assim
ir vivendo.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
sem dobre de sinos...
ainda hoje não sei
porque o sino não dobrou;
e também não sei
porque caiu e se quebrou
só me sei viúva de compreensão,
órfã de ternura,
sem vislumbrar nessa imensidão
onde jaz a desventura
o abraço que me acolha
trago o peito macerado
olhos vagos e cansados
em breve mais secos
do que o ar poeirento
porque foi no instante,
no preciso instante
duma inenarrável emoção
que me quedei,
não fui capaz...
e nada dei...
Porquê então
este cruel e vão desejo
este cruel e vão desejo
de gritar?...
Yvonne, Lx. [13.04.1970]
sábado, 12 de janeiro de 2019
Farrapos
ontem
ainda desejei ser pequenina nos braços de alguém...
*
hoje
choro desiludida o esfarrapar dessa ilusão
*
amanhã
calma, indiferente,
vou olhar a vida de frente
e sem sorrir
*
e tremente assim vou ficar
*
desespero?
amor?
ternura?
tão pouco ódio
que não conheço
*.
só o pranto
apenas e só
o pranto...
*
ao secar
arrastou o desejo vão
de não mais esperar
*
tristeza
passou então
a ser o pão de cada dia
dum tempo...a esfarrapar.
Lx. - [13.04.1970]
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
No rescaldo do tempo
Confidenciou à noite escura e fria
As profundas razões do seu temor
Ao ver em si esse anjo que temia
E o arrastou consigo para a dor.
No rescaldo obsessivo de um cansaço,
Sentida a perda, a mente ensandecida,
Algo surgiu de estranho, como um laço
E que ligou à sua uma outra vida.
Num tempo longo de luto compungido
Tecido por dúvidas vãs a esbater
Em estádios de silêncio entristecido,
Se foi espraiando o torpe desengano
Enleado no lento entardecer,
Laço frágil, mas firme, de ano em ano.
M. Silva
Uma «chanson morte»... de Fernando Pessoa
Canção III:
Um nada... O amor que chega ao fim
É doloroso.
Fazei de mim aquele que vos ama,
Não quem eu sou.
Quando o sonho é lindo, até o dia
Sorri.
Quer eu seja triste ou feio - é a sombra...
Para que o dia
Vos seja fresco, fiz-me para vós
Esta sombra.
* O texto acima é tradução livre do seguinte poema de Fernando Pessoa:
Si vous m' aimez un peu? Par rêve.
Non par amour...
Un rien... L' amour que l' on achève
Est lourd.
Faites de moi un qui vous aime,
Pas qui je suis.
Quand le rêve est beau, le jour même
Sourit.
Que je sois triste ou laid - c' est l' ombre...
Pour que le jour
Vous soit frais, je vous fais ce sombre
Séjour.
Amais-me vós um pouco? Em sonhos.
Não é amor...Um nada... O amor que chega ao fim
É doloroso.
Fazei de mim aquele que vos ama,
Não quem eu sou.
Quando o sonho é lindo, até o dia
Sorri.
Quer eu seja triste ou feio - é a sombra...
Para que o dia
Vos seja fresco, fiz-me para vós
Esta sombra.
* O texto acima é tradução livre do seguinte poema de Fernando Pessoa:
Si vous m' aimez un peu? Par rêve.
Non par amour...
Un rien... L' amour que l' on achève
Est lourd.
Faites de moi un qui vous aime,
Pas qui je suis.
Quand le rêve est beau, le jour même
Sourit.
Que je sois triste ou laid - c' est l' ombre...
Pour que le jour
Vous soit frais, je vous fais ce sombre
Séjour.
domingo, 30 de dezembro de 2018
«Rico é o que a alma dá e tem»...
A ciência, a ciência, a ciência...
Ah, como tudo é nulo e vão!
A pobreza da inteligência
Ante a riqueza da emoção!
Aquela mulher que trabalha
Como uma santa em sacrifício,
Com quanto esforço dado ralha!
Contra o pensar, que é o meu vício!
A ciência! Como é pobre e nada!
Rico é o que a alma dá e tem.
[...]
Fernando Pessoa [04.10.1934], in Poesias Coligidas/Inéditos
E TUDO O RESTO È NADA!
Inveja...
Não sou capaz de aquecer a madrugada
Meu corpo cansou, perdeu calor.
Se saio para a noite sinto-me gelada
Se venho até ti é por um bem maior.
As melodias da noite enluarada
Negam ilusões de te guardar comigo.
Um só sonho, em meiga luz velada,
Na certeza de um sentimento amigo

Contudo, ao olhar o céu ignaro,
Nuvens e sombras pairam lá no alto
A frustrar, negando, um amor claro;
Enfrentar o destino, o tempo, a vida
Causou inveja aos deuses, que, de assalto,
Tentaram manobrar a despedida.

As melodias da noite enluarada
Negam ilusões de te guardar comigo.
Um só sonho, em meiga luz velada,
Na certeza de um sentimento amigo

Contudo, ao olhar o céu ignaro,
Nuvens e sombras pairam lá no alto
A frustrar, negando, um amor claro;
Causou inveja aos deuses, que, de assalto,
Tentaram manobrar a despedida.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Sol gelado....
Sol luminoso que o vento gela
e nos flagela
espanto de cor
depois dos cinzentos baços
de todo um dia de pesadas névoas
saída para o sol de inverno
onde toda eu me arrepio...
pássaro que sofre no sol
quando o vento sopra hirto
das montanhas de neve
eriço também as minhas penas
e o frio
não consegue aquecer-mas...
era para sair ao teu encontro
mas já não fui
com medo de encontrar-te...
era para te escrever
mas não escrevi
porque a mão me doía
(artrite - dizem]
era para abraçar-te
e ao mundo
mas não fui capaz
(bursite - alvitram)
não sei quantos mais -ites
advirão
mas não esperarei por ti,
não
Contudo, se saíres antes de mim
acautela-te da chuva
e das névoas inimigas
dum sol que já não vemos
mas está ...
M.Silva
sábado, 15 de dezembro de 2018
Gaivota em terra
Outrora sentia a força do mar
em tempestade
e um desejo imenso de infinito
*
*
Esse mar desgastou-se
persistente e louco
incessante e duro
contra os rochedos
...
persistente e louco
incessante e duro
contra os rochedos
...
os encantos da praia
viraram crude
negro como tição
negro como tição
Gaivota em terra
sou...
sou...
frustrada
fatigada
enrouquecida
alongada do mar infindo
e misterioso
sem asas para me elevar
por sobre as vagas
saudosa de pisar os areais humedecidos
leitos de seixos e conchas nacaradas
trazidas pelas ondas...
cansadas das lides do mar..
enrouquecida
alongada do mar infindo
e misterioso
sem asas para me elevar
por sobre as vagas
saudosa de pisar os areais humedecidos
leitos de seixos e conchas nacaradas
trazidas pelas ondas...
cansadas das lides do mar..
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Um chá amargo...
[25-05-2015]
há uma ferida íntima
que sangrou
depois sarou
ao acaso dos dias....
e, de vez em quando.
dói
sempre a fogo lento
para a não esquecer...

assim como um chá
que se quis quente
e esfriou....
amargo porque
frio...
essa é a sensação
de gelado amargor
que a mim se colou
e ficou...
... servir bem o chá
alguém descuidou...
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
domingo, 2 de dezembro de 2018
Zanga sob o sol de verão...
A espigueira lacerou-me as mãos
pintou-as de vermelho-sangue
que pingou no chão enegrecido...
sôfrega a terra bebeu -o
sob o sol intenso...
vingativa
enredou-se-me depois nos meus cabelos
zanguei-me
com força inusitada
repelou-me também a camisola!
zanguei-me deveras!
- aquela maninha
aquela preguiçosa
aquela desgraçada
não deu ainda
uma única flor!...
Novembro//2018
sábado, 1 de dezembro de 2018
... às vezes...
Ah,
como
dói
viver
quando
falta
a esperança!
Manuel Bandeira
...às vezes
esqueço-me de sofrer
de sentir o frio
de sentir o calor
de sentir a saudade
de sentir a distância
e até de sentir-
tout court
- o conforto
é que
... às vezes...
esqueço-me
de viver.
domingo, 11 de novembro de 2018
Subscrever:
Mensagens (Atom)





















