segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

When Winter Comes - CHRIS DE BURGH


Quando o inverno chega e  há frio  que aperta e liquefaz os ossos, recordo que já o sofri em muitos e antigos momentos que evito recordar, mas até vou recordando... e vejo ainda dentro de mim tanta criança que caminha com os pés enregelados em direcção à escola, ou no regresso desta para casa...onde nem sempre luz o fogo na lareira ou apenas há a vizinha possui uma enorme braseira quente. Às vezes por inadvertência e alguma inocência colocam as mãos sobre a cinza para as aquecer...caem e torna-se horrível a sensação de dor!
Recordo os sem-abrigo, e os velhos que não possuem aquecimento nem  calor humano...
e sinto-me grata  aos deuses do acaso e do esforço continuado para melhorar de vida que sempre guiou os meus ancestrais e os meus próprios passos.
Que poderei fazer para melhorar toda esta desumanidade em que tristemente se vai arrastando a vida?

sábado, 26 de novembro de 2016

Névoas, neve, chuva...



dia de outono de névoas e sombras 

um ar parado 
na angústia das coisas que não foram

lágrimas em gotas grossas 
  chuva insistente
onde não cabem silêncios nem poemas 
nem subentendidos mistérios gotejando 
e empurrados pelo vento...

Lá fora, só cai a chuva.
soturnamente alagando tudo

braços entrelaçados de árvores
suplicando na humidade cinza
buscam refúgios impossíveis
na imaterialidade suja do dia enevoado

Se parar a chuva, a neve 
 não terá já brancuras de linho 
e desfar-se-á em manchas lodosas
no chão  pisado  por muitos passos
onde de há muito folhas apodrecem.

um ciclo enevoado de escuridão e frio
sela  doridamente a natureza 
que o sol flagelou impiedoso...

consternadas, as plantas inclinam com pesar
as hastes lacrimosas



por detrás da janela
fixo nos pequenos espelhos de água parada
uns vislumbres de luz


 não vejo gente... mas sombras
de uma humanidade insana,
tantas e tantas vezes cruel,
que se rege pelos pés...
e nelas transluz.

domingo, 3 de julho de 2016

anoitecendo...


*...quando a noite desce*
*porque o sol *
*de há muito se afundou no horizonte intenso*
*fico suspensa  num tremular de brisa*...
*e o meu sonho adiado*
*brinca pelo ar co' as aves*
*naquela ânsia infinda de poder tocar-te...*

*...e perco-me então*
* na doce magia do encanto de ti.*


                                                                                                                         (between Spt.- Nov./2012)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sonhos esparsos


Enterrei os sonhos num jardim escondido 
onde nunca entro para os visitar 
brancos de neve, encanecidos,  
perdida toda a força para os libertar .

Foram azuis um dia.
Com eles ri, sorri, depois chorei - 
- primavera e outono numa vida, 
geraram dor de prata encarecida 
de muito desalento e muita dor .


 Esparzi-os  em pétalas sem vida
embalados ao som de um violino
na música dolente e esmaecida
dum fim de tarde suave e purpurino.

msilva, [09.01.2016]

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Nas despedidas...


nas despedidas
há sempre um alguém que chora e sofre mais
com ou sem lágrimas vertidas
porque o toque de magia de um outro ser
originou emoções ensandecidas
carreadas em desejos de infinito 
num ruflar leve de asa de cetim...

depois a brisa sopra um subtil aroma 
engolido pela noite 
numa reminiscência vaga, muito vaga,
de esquecido jasmim

domingo, 15 de março de 2015

Promessa (s)...



Decerto, amanhã, venha a falar contigo
Nesse desespero mudo de silêncios (es)forçados 
Em que ficam sempre a pairar verdades por dizer
Ou mentiras consentidas pelo tempo - anos estagnados
Como nenúfares boiando num lago parado, por contido.

Amanhã... trarei emoções de horas de saudade
Liquefeitas pelas chuvas de invernos rigorosos
Vividos ~ ou só vividos pela metade
Nesse pulsar de sensações nunca esquecido
Vagamente temperado pelo encanto do sonho
De um outrora não perecido
Nem pela dor, nem pelo desengano...

Virei amor... virei
Cambaleando por sobre  as folhas mortas
Que o último outono não pôde macerar,
Por não caídas,
E o inverno regelou, nem apodrecidas.

Voltarei - hei-de voltar.
Só ... que ainda não sei quando...
Tão difícil se tornou o confiar.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Clepsidra tombada


Tombou a clepsidra... Silenciou a dor.
 O encanto de viver estagnou sem pranto.
Primitivos, alheios de si, tombam desejos
Que já nem o vento faz ecoar nas frias noites
  Em que vomita horror.

Tombou a clepsidra... sem tombar a dor
Ciciando segredos de doçuras de amor
Nas rugas de um manto gelado de espanto 
No leito vazio da noite do encanto...
E a tarde despede os silêncios
De fins de dia dobrados a rigor
Em brancos lençóis  de linho
Rescendentes a alfazema e alvor...

Jaz aí a clepsidra tombada... Só resta o nada 
Dos dias esfarelados na monotonia:
Eventos com chuva e sol e neblinas
E lembranças... 
Asas de boninas 
A espairecer na fímbria do não ser.