sexta-feira, 28 de março de 2014

Águas que correm...


corres dentro de mim 
ora em regato borbulhante de água pura
ora como veneno de dúvidas e segredos
e se 
em tempos de prosa - razão
a dor existe mais aguda
e é mais cruel ainda
ouve-se um choro silencioso de lágrimas
frias
 sentidas
ou de um pranto sem lágrimas
 de si esquecidas
 humidade  seca
que escorre de paredes exangues
de angústia e silêncio

fantasmas alvacentos do passado 
convivem com o hoje e agigantam-se
 resultado de densos véus 
que as minhas mãos foram tecendo
e perdendo
ao longo dum tempo calado e frio
contra um fundo vagamente musical
de silêncio e solidão. 

Manuel Maria

2 comentários:

  1. Um poema se solidão onde o silêncio faz transbordar a água do olhar...
    Beijo.

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